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Asdivine Hearts: É Indie Mas…

por Hugo Bastos
Asdivine Hearts: É Indie Mas...

Há dias atrás, o Meu PS4 apresentou uma nova proposta para esse ano (por meio da matéria que você pode conferir aqui). Um foco maior nos jogos independentes (os famosos indies), visando sobre tudo manter você, jogador, ciente que estes, apesar de não possuírem toda pompa e circunstância dos famosos Triplo-A, tem muito conteúdo a oferecer.

E, para iniciar este novo ciclo, o jogo escolhido foi Asdivine Hearts, um game ao estilo JRPG, ao estilo dos famosos 16 bits, que mescla diversos elementos de jogos do passado. Lançado originalmente para Android e iOS em 2014, pôde agraciar os proprietários de consoles da Sony já o início do mês. Jogadores e jogadoras, bem vindos ao “E Indie, Mas…

  • Jogo: Asdivine Hearts
  • Desenvolvido Por: Exe Create Inc
  • Distribuído Por: KEMKO
  • Onde Encontrar: Aqui (Cross-Buy PS3/Vita)

Uma História de Luz e Sombra

A história de Asdivine Hearts é o que pode ser chamada de clichê em sua mais pura essência. Um ano antes dos acontecimentos do jogo, o mundo foi envolto em um forte clarão. Mesmo que as coisas tenham continuado normalmente imediatamente após, uma presença sinistra começou a ser sentida. Monstros começaram a aparecer com mais frequência. Pessoas começaram a desaparecer. E a vida tornou-se mais complicada.

Os heróis do jogo, Zack, e sua amiga de infância Stella, são incumbidos de levar um gato selvagem até a floresta próxima ao orfanato onde vivem (sim, caros jogadores. Os protagonistas do jogo são – olhem só – órfãos!). No entanto, durante a missão, algo acontece. A divindade da Luz aparece, e tenta possuir o corpo de Zack, que ela considera digno e forte o suficiente.

Asdivine Hearts
Zack, o protagonista, é o típico jovem rebelde de coração puro.

Só que as coisas não acontecem como se imaginava. E então, a aventura dos três tem início. Um enredo digno de filmes da Sessão da Tarde, onde o foco é nada menos que evitar a destruição mundial.

Pode parecer estranho, mas no fim, essa fórmula vem a calhar. Por não fugir muito do conhecido esquema “jovens desconhecidos que se tornam heróis”, a desenvolvedora pôde focar em outras partes da história. Algumas poucas reviravoltas acontecem, que não serão surpresa para olhos atentos.

Não se deve, contudo, esperar algo tão elaborado como Chrono Trigger, ou Shining Force II. A inclusão de relacionamentos entre os personagens (como em Star Ocean) foi uma adição interessante. E os diversos finais presentes no jogo certamente farão com que os mais persistentes queiram destrinchar as menores nuances presentes no jogo.

Um JRPG Em Sua Essência

Asdivine Hearts é uma mistura. Simples assim. Ele busca mesclar elementos de diversos outros jogos do gênero. Tenta incluir também elementos novos ou modificações daqueles já existentes. Em especial na jogabilidade, onde tais elementos se tornam evidentes, balanceados e interativos.

No geral, este é um típico JRPG, com algumas modificações em suas mecânicas.

Sua jogabilidade é basicamente aquela observada em todos os títulos da geração 16 bits. A movimentação dos personagens, equipamentos, habilidades. Enfim, muito é trazido de outros títulos. Mas alguns elementos, como o posicionamento dos personagens em três colunas diferentes (ao invés de duas), com uma taxa de dano e defesa proporcional à sua posição, é algo diferenciado.

Algo interessante no jogo é sua preocupação em jamais deixar o jogador perdido. Há um tutorial para qualquer dúvida que o jogador venha a ter. E em qualquer momento no qual o jogo requeira que o jogador execute determinada ação pela primeira vez, ele o atualizará no que é necessário.

Asdivine não é um jogo que deixa o jogador na mão. A qualquer momento, e na tela inicial, ele pode consultar o menu de ajuda, com todas as informações que precisa.

No que toca ao mundo de Asdivine, como já dito, existem inúmeras missões paralelas. Após o último chefe, é ainda possível acessar outras áreas, como uma arena de batalha. Ainda existem outras missões paralelas, como um index de inimigos a ser completado e tesouros a serem encontrados. De fato, há muito a ser feito no jogo.

As batalhas seguem o padrão já conhecido. São por turnos, em que cada personagem age conforme seus atributos. A barra de ação segue o estilo visto recentemente em Child of Light.

E assim como os personagens, os inimigos também são dispostos em colunas. Os mais próximos recebem mais dano, mas também causam mais dano. Aqueles localizados mais ao fundo são mais resistentes, mas causam menos dano da mesma forma. Com a ressalva de que técnicas possuem valores que não são afetados por estes pontos.

Pequenas Diferenças, Grandes Consequências

Indo mais a fundo, nota-se que o jogo tenta dar um ar novo ao gênero.

Não existem outros elementos no jogo que não sejam a luz e a sombra. Os personagens possuem afinidades distintas, e cada qual pode aprender técnicas relacionadas àquele elemento específico. Mas ainda é possível absorver tais técnicas de outros elementos, por meio de joias engastadas no Rubix.

Aquela experiência em Tetris vem bem a calhar quando o assunto é gerenciar joias no Rubix.

O Rubix é um elemento novo. Funciona como os “acessórios” de Final Fantasy VII, que permitiam equipar matérias. Neste caso, eles são como grids geometricamente quadriculares, onde é possível encaixar gemas de diversos tamanhos e formatos. É necessário, contudo, que as gemas estejam em perfeito encaixe para que funcionem.

Dessa forma, o jogador consegue bônus nos atributos, proteção contra determinados efeitos, enfim… E ainda, com a utilização de determinadas joias, é possível que usuários do elemento luz, por exemplo, aprendam técnicas do elemento sombra. Como em Chrono Trigger, é possível combinar tais técnicas ao avançar no jogo, criando ataques poderosos.

Adicionalmente, os próprios personagens possuem suas técnicas pessoais. Estas não podem ser combinadas, mas causam diversos efeitos e possuem diferentes usos durante as batalhas. Como Felix, o gato, que pode roubar joias dos inimigos. Com sorte, joias raras são adquiridas.

Cada personagem possui técnicas específicas. E estas podem conter efeitos secundários benéficos ao grupo.

No mais, tudo segue a fórmula já conhecida. Armas, armaduras, itens de cura… Encontre-os em baús espalhados pelos cenários, ou compre-os de vendedores nas cidades ou vilas. Equipe sempre o mais forte, para conseguir danos cada vez mais altos.

E por falar em dano, Asdivine Hearts vem com a opção de seleção de dificuldade já no início do jogo, algo não usual no gênero. Nas dificuldades mais altas, saber qual técnica usar e em que momento (visto que algumas delas atrasam a ação do personagem) são a diferença básica entre a vida e a morte.

Aquele 1% Que Faltou…

O jogo é uma tentativa de homenagear os jogos do passado, ao trazer os elementos clássicos que os fizeram tão conhecidos. No entanto, na tentativa acertar, há falhas que acabaram por passar e chegaram ao produto final.

Uma delas está exatamente no cerne de todo RPG: sua história. Ela é básica e sem inspiração, e infelizmente não melhora com o desenvolver do jogo. Os personagens não se desenvolvem como deveriam. Os elementos humorísticos são usados com muita frequência e cansam sem muito esforço.

Espere por diálogos tão rasos quanto uma novela mexicana.

Além disso, o jogo foca demais em um determinado ponto e se esquece dos demais. Os protagonistas são Zack e Stella, mas é o personagem Felix quem rouba os holofotes. As personagens femininas são extremamente dependentes do personagem principal, e não se desenvolvem de forma independente.

Claro, para que tal situação possa ser compreendida de forma clara, o jogador ainda precisa aprender o idioma inglês, visto que não há localização para o nosso português brasileiro. E mesmo sendo um jogo cross-buy, não há a opção de cross-save, o que torna esse “diferencial” inútil.

Especialmente se levarmos em consideração que um jogo com tanto a se fazer, e com tantos finais a serem descobertos, não possui um troféu de platina. Algo que pode afastar muitos jogadores. São apenas 15 troféus, e muitos deles se referem aos diferentes finais que podem ser destravados.

Para muitos, o jogo ainda é incisivo em ensinar os jogadores como proceder em determinados momentos. Isso chega ser irritante, visto que, por vezes, Asdivine Hearts trata os jogadores como crianças, com instruções estranhas  relacionadas a situações óbvias (como o fato dos personagens principais estarem espantados por encontrar baús de itens perdidos a ermo).

Se um baú está no meio do nada, eu posso pegar o que há nele? Claro, por que não… (precisava dizer?)

Os gráficos também deixam a desejar, especialmente por não se localizar nem nos dias atuais, nem na glória do passado. A trilha sonora é repetitiva e enjoativa, e torna a jornada ainda mais complicada. E o valor cobrado pelo jogo, comparado com as versões de outras plataformas, é substancialmente elevado.

Aquele Indie que Vale a Pena

Asdivine Hearts não tenta reinventar a roda. Não tenta sequer revolucionar o gênero. Traz elementos já conhecidos dos jogadores, enquanto adiciona outros modificados, tentando refrescar ideias já antigas. Apesar de falhar em diversos aspectos, não se pode dizer que o jogo é ruim.

Pelo contrário. Uma vez que este expoente está em constante falta no mercado ocidental, aqueles que puderem enxergar além dos defeitos aqui elencados encontrarão um jogo com muito a oferecer.

E, no fim das contas, Asdivine Hearts traz mesmo aquela sensação boa de reviver os bons clássicos do passado. Especialmente para aqueles que, assim como o autor desse artigo, cresceram entre os mais consagrados jogos desse gênero que há para se basear.

Veredito: É Indie Mas… (Até Que) É Legal!

O Bom:

  • Diversos Finais;
  • Muitas missões paralelas;
  • Elementos antigos remodelados;
  • Diálogos divertidos entre os personagens.

O Mau:

  • História extremamente genérica;
  • Quatro dos cinco personagens baseia sua progressão no quinto;
  • Gráficos aquém do esperado;
  • Jogabilidade mediana;
  • Falta de localização. troféu de platina e capacidade de cross-save.

Pra Que Jogou e Gostou de:

  • Chrono Trigger;
  • Final Fantasy (Era 16 bits);
  • Phantasy Star;
  • Shining Force.
Hugo Bastos
Hugo Bastos
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Jogando agora: Nada no momento.
Hugo Bastos e revisor do Meu PS4, apreciador de uma boa comida, e de platinas difíceis. E viciado em Rogue Legacy, OlliOlli2, Dead Cells, e não dispensa uma boa noite de jogatina.