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Arizona Sunshine 2: vale a pena?

Protagonista badass e cachorro sanguinário transformam o deserto do Arizona em um playground da matança

por André Custodio
Arizona Sunshine 2: vale a pena?

Seis anos após os eventos do primeiro game, Arizona Sunshine 2 leva os jogadores novamente a uma aventura de sobrevivência. Porém, o título chega com uma reflexão interessante ao provar que matar zumbis é melhor acompanhado do que sozinho — seja de uma companhia humana ou animal.

Disponível desde o final de 2023 para o PS VR2, o game é um dos mais promissores projetos para o headset de realidade virtual da Sony. Mas mesmo com a proposta de ser um playground de mutilação de mortos-vivos, será que esse conceito ainda se sustenta em uma indústria já tão saturada?

Sobrevivente, mas não mais solitário

Entediado e completamente largado no deserto do Arizona, o herói conhecido como “Sobrevivente” passa seus dias observando o comportamento dos zumbis perdidos “Freddys”. Até que um dia, quando decide sair de seu trailer para apreciar a paisagem, um helicóptero cai ao longe.

Curioso por possivelmente encontrar um ser humano, ele parte em uma jornada até o ponto da tragédia. E depois de abrir espaço por hordas de infectados, ele encontra uma única alma, ainda viva, nos escombros: um cachorro assustado.

Arizona Sunshine 2
Fonte: André Custodio

O animal também guarda uma informação na caixa-preta do helicóptero: indícios de um suposto Paciente Zero. Agora, o herói e sua nova companhia partem para uma aventura sangrenta com o objetivo de encontrar o primeiro infectado e de dar uma surra na pessoa que iniciou o surto global.

A própria ideia de Arizona Sunshine 2 é clichê e sem grandes destaques, mas é claro que ela funciona muito bem com toda a atmosfera do jogo. Os zumbis são mais divertidos que assustadores, enquanto o protagonista, super carismático, tem umas interações super leves com o pastor alemão Buddy.

Arizona Sunshine 2
Fonte: André Custodio

Ao longo da campanha, o “Sobrevivente” e o cachorro se ajudam não apenas no extermínio dos mortos-vivos, mas também para quebrar o gelo da situação pós-apocalíptica. Seus diálogos são repletos de carisma e as interações pelos controles Sense, para dar ordens ao animal, funcionam muito bem.

Arizona Sunshine 2
Fonte: André Custodio

O desenrolar narrativo de Arizona Sunshine 2 também funciona sem surpresas: vá de A a B, descubra que não há nada ali além de uma pista, e vá para C. Todos os capítulos se estendem desse modelo por pouco mais de 4h de campanha, mas as missões se destacam pela leveza e objetividade.

O título também tem picos interessantes, como fugas de hordas impressionantes, escaladas, combates em áreas mais abertas e uma exploração que recompensa bastante através de munições, armas insanas e ferramentas destrutivas.

A beleza em meio ao apocalipse

Enquanto conhecem um pouco mais do deserto, os jogadores se encantarão com cenários muito bem desenvolvidos. O level design de Arizona Sunshine 2 é muito interessante, enquanto as áreas abertas e fechadas chamam a atenção pela riqueza de detalhes.

Vidros, itens, portas e utensílios espalhados pelos mapas são completamente interativos e possuem uma física bastante responsiva. Por exemplo, arremessando uma bolinha de tênis para Buddy faz ele correr atrás dela e pedir novamente, enquanto ficar apenas jogando para cima pode matar o tédio.

Arizona Sunshine 2
Fonte: André Custodio

A resolução dos cenários em Arizona Sunshine 2 são excelentes. Zonas abertas são nítidas, com texturas bem realizadas e raríssimos metros quadrados vazios. Porém, o destaque fica para os locais fechados, que sofrem efeitos de iluminação, reflexo e sombras para oferecerem um alto nível de realismo.

Arizona Sunshine 2
Fonte: André Custodio

Como a campanha do game é curta, passar um tempo olhando os cenários e conhecendo rotas de fugas, informações sobre o mundo, coletáveis e outros itens de sobrevivência garantem uma experiência mais imersiva e vívida.

Isso é impulsionado por uma excelente trilha sonora no estilo Dying Light. O game soube muito bem equilibrar o sistema de áudio com os diferentes momentos da história, mas tudo sem perder em essência e em relação ao contexto fantasioso.

Arizona Sunshine 2
Fonte: André Custodio

De fato, o game se aproveita bem do hardware do PS5, apesar de não incluir rastreamento ocular. E caso as configurações de vinheta, de movimento, de desfoque e de outras opções incomodem os jogadores, é possível ajustá-las para oferecer um gameplay mais suave e acessível.

Transforme tudo em uma arma

Arizona Sunshine 2 é um belo showcase de apocalipse zumbi. Quando as pessoas pensam nisso, a primeira coisa que vem a mente é: o que você usaria como arma? E o jogo da Vertigo Games certamente será capaz de deixar muitos fãs em dúvida em relação à pergunta.

São muitas armas de fogo (desde menor porte até rifles, espingardas, metralhadoras), armas corpo a corpo e ferramentas explosivas (molotovs, granadas e minas terrestres). Além disso, mutilar zumbis faz com que seus braços e cabeças se tornem jogáveis para atrasar o movimento dos infectados.

Arizona Sunshine 2
Fonte: André Custodio

Em geral, essa experiência é bem envolvente, e tanto atirar quanto fatiar os mortos-vivos é extremamente satisfatório. O sistema de gore é bem realista, mas nada se compara a emendar uma sequência de headshots e ver várias cabeças explodindo na sua frente.

Arizona Sunshine 2 também inclui sistema de quebra de armas corpo a corpo, carregamento de munições intuitivo e diverso para cada tipo de arma, ataque colaborativo com o cachorro Buddy, pernas e braços de zumbis quebráveis e uma mecânica de vulnerabilidade para inimigos mais tanques.

Arizona Sunshine 2
Fonte: André Custodio

Além disso, acionar uma granada e colocar diretamente na boca de um infectado é uma das coisas mais divertidas do game. O espetáculo visual é muito interessante.

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Fonte: André Custodio

Por fim, todo o gameplay é bastante equilibrado, mas os jogadores podem alternar o nível de dificuldade caso enfrentem problemas contra hordas maiores. De qualquer jeito, ele traz uma experiência geralmente divertida, mas que acaba sendo impactada por problemas técnicos.

Visualmente bom, tecnicamente falho

Infelizmente, Arizona Sunshine 2 não escapa de alguns problemas graves. A performance do game é incrivelmente estável, mas alguns bugs visuais podem incomodar os jogadores. São inimigos “flickando” após a morte, itens em locais inalcançáveis e mensagens tutoriais que surgem aleatoriamente.

Além disso, há algumas inconsistências no rastreamento dos controles Sense que faz a visualização das mãos bugar. Apesar dessa falha ser mais rara, é possível identificar momentos onde não há simetria, e uma das mãos aparece em um lugar completamente absurdo na tela.

Arizona Sunshine 2
Fonte: André Custodio

O título também possui instabilidades relativamente regulares. Após sessões de 1h ou mais, o sistema do PS5 fica bastante propenso a crashar, permitindo, até mesmo, que o progresso seja perdido ou que o arquivo se torne permanentemente corrompido.

Por fim, o game possui tempos de carregamento excessivamente longos. A inicialização do game é muito demorada. Enquanto isso, o tempo de transição de mapas demora alguns segundos e o reboot após uma morte também ativa uma tela de loading.

Modos alternativos de jogo

Arizona Sunshine 2 funciona bem no single-player, mas jogar com outro amigo em cooperação traz algumas interações divertidas. Brincar com colegas no apocalipse zumbi talvez seja a melhor forma de aproveitar o game, especialmente em situações complexas de combate onde tudo vira um caos.

O rastreamento dos gestos funciona bem no game, e conversar com sobreviventes através do multijogador oferece mais oportunidades de recompensa, de troca de itens e de batalha conjunta. E tudo isso funciona de forma bastante estável, apesar na leve demora para encontrar jogadores ou parear.

Arizona Sunshine 2
Fonte: André Custodio

O jogo também inclui um modo horda bem padrão. Essa é a experiência menor interessante de Arizona Sunshine 2, pois a campanha já funciona como uma espécie de grande atividade de ondas, onde cada missão “se encerra” com uma briga em larga escala contra grupos imensos de zumbis.

Arizona Sunshine 2: vale a pena?

No geral, Arizona Sunshine 2 é um bom jogo e consegue ser um bom passatempo, principalmente para quem gosta do gênero sobrevivência mais voltado para a ação. Não há muitas punições no game e tudo é mostrado de forma bastante interativa, desde os caminhos até as ações.

Além disso, o título é visualmente agradável e se destaca pelos belos visuais de última geração. Como uma experiência de realidade virtual, sem dúvidas é um jogo bastante recomendado, apesar de não ser fácil ignorar ou se frustrar com os problemas técnicos.

Arizona Sunshine 2
Fonte: André Custodio

Vale reforçar que o jogo não é brilhante e o preço de R$ 264,90 cobrado na PS Store ainda pode ser um pouco pesado. Mas caso você tenha um amigo que deseje iniciar a aventura com o “Sobrevivente” e com o Buddy, o valor é justo.

Veredito

Arizona Sunshine 2
Arizona Sunshine 2

Sistema: PlayStation VR2

Desenvolvedor: Vertigo Games

Jogadores: 1 ou 2

Comprar com Desconto
80 Ranking geral de 100
Vantagens
  • Visuais incríveis de cenários e efeitos pelo headset do PS5
  • Boa variedade de gameplay com armas corpo a corpo, de fogo e gadgets
  • Ótima mecânica de carregamento de armas
  • Personagens principais muito carismáticos
  • Ações com o cachorro precisas e simplificadas
  • Recursos de acessibilidade para a realidade virtual
  • Sistema de desmembramento e eliminação de zumbis divertido
  • Dificuldade bem equilibrada
  • Cooperativo estável e dinâmico
  • Trilha sonora atmosférica e muito imersiva
Desvantagens
  • Alguns bugs visuais
  • Crashes após sessões maiores de gameplay
  • Movimento de corrida poderia ser muito mais ágil
  • Tempos de carregamento muito longos
André Custodio
André Custodio
Redator
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Jogando agora: The Outlast Trials
Fã de jogos de terror e desbravador de soulslike vez ou outra. Consegui me livrar de FIFA por motivos pessoais (ruindade) e hoje me sinto uma pessoa melhor. Também curto platinas, mas não vou atrás de algo que me tira do sério.