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[BGS 2023] Assassin’s Creed Mirage é uma homenagem à história da franquia

Conversamos com Fabiano Vassão, diretor de arte de UI do game

por Jean Azevedo
[BGS 2023] Assassin’s Creed Mirage é uma homenagem à história da franquia

Assassin’s Creed Mirage é uma homenagem à história da franquia. Voltando às raízes, a Ubisoft buscou colocar os jogadores em um universo super imersivo e contou com a ajuda de diversas equipes internas para isso sair do papel e honrar o legado da saga.

Conversamos com Fabiano Vassão, diretor de arte da interface de usuário, que nos contou como todo o trabalho para dar vida à aventura de Basim exigiu grande esforço coletivo, além de usar toques de “What If”, série da Marvel. Confira como foi o bate-papo abaixo:

Fabiano, como foi criar Bagdá sem ter tantas informações sobre a civilização, cultura e arquitetura?

Contamos com vários historiadores que ajudaram a gente e alguns livros também. Claro que tentamos ser o mais fiéis possíveis às informações que a gente têm. O mapa é real, a posição das portas, o lance do centro redondo também, várias localidades são reais. Como é uma obra de ficção, temos liberdade artística para criar alguma coisa e complementar. A franquia tem um lance que é bem característico do “E se”. Até a Marvel fez um “What If” recentemente, mas mesmo antes disso, Assassin’s Creed sempre teve isso. Pegamos fatos reais e damos uma “brincadinha” para mexer em tudo. Apesar de a gente não ter muitas informações, historiadores e consultores locais nos ajudaram, toda a tipografia, por exemplo, o idioma, tudo reflete a época. 

Assassin's Creed Mirage

A interface é importantíssima para a imersão do jogo, como vemos nos jogos da série souls onde tudo é bem minimalista. Como você cuidou para deixar os momentos stealth mais tensos?

A UI é completamente ligada à imersão do jogo, ela pode atrapalhar ou ajudar, até fora dos jogos. Ela te guia por ser o primeiro contato do jogador com o jogo. Para deixar menos poluído, apresentamos a interface quando ela precisa ser apresentada. Então se você está andando, não tem porque aparecer sua barra de vida e sua arma. Claro, se Basim entrar em uma área restrita ou algum guarda ou te perceber por causa da sua notoriedade alta, aquilo vai aparecer. Aí que é legal. Ela aparece, muda o som e te indica que algo está acontecendo. Nossa UI não é tão minimalista como Dark Souls, é uma proposta diferente, um jogo totalmente diferente, uma ação narrativa, então temos mais presença na interface, mas mesmo assim, ela só aparece nos momentos certos. Isso é um lance que busquei bastante. O minimalismo é importante mas pode ser mal usado, o que não é o caso de Dark Souls, obviamente. Até funcionaria, mas não tem uma conexão com a direção de arte geral do jogo e da franquia e causaria um problema na imersão. Uma UI boa tem que combinar com o tema e com a franquia do game. Isso é uma UI legal. Legal, forte e efetiva.

assassin's creed mirage
Fonte: Ubisoft

Como os clássicos da franquia inspiraram o retorno do gameplay mais sorrateiro em Assassin’s Creed Mirage?

Esse jogo começou como uma homenagem. A gente viu ali que era um potencial absurdo de falar sobre o Basim, homenagear o 15º aniversário da franquia e o passado, uma real “volta às origens” de Assassin’s Creed com os três pilares da IP: stealth, parkour e assassinato. É o coração da saga. É o maior valor de Assassin’s Creed. Na interface, polimos as indicações de notoriedade e deixamos tudo simplificado para representar esses pilares no UI de forma pontual. O jogo já nasceu assim, deixando o UI mais responsivo em relação a tudo, principalmente na identificação de amigos, nível de notoriedade e de busca e muito mais, fortalecendo esses três pilares.

Como foi esse “casamento” das equipes para fazer tudo ficar em harmonia?

Tudo faz parte da experiência do jogo, que é muito ligado aos game designers de UX. Dentro da interface de usuário temos profissionais de áudio que trabalham conosco diretamente. Primeiro planejamos a quest, depois a trajetória, aí elaboramos a experiência. Refinamos tudo, transformamos em mocap, em frames, depois UI, aí animação… é uma cadeia e pode não ser tão linear.

Agora fugindo um pouco do assuntos da interface de usuário, você gostaria que a franquia visitasse alguma mitologia ou região específica?

Pessoalmente gostaria de ver algo na América do Sul. Escuto muita gente falando e esse também é um desejo meu. Recentemente tivemos uma descoberta de umas cidades perdidas na Amazônia, pode até ser fake, mas temos uma liberdade artística para explorar isso, por exemplo. Temos os povos maias, incas e os astecas, seria interessante, eles têm uma cultura bem rica. Voltamos ao “E se”, e poderíamos pegar algum personagem para explorar sua história. Pura torcida, acho bacana, é um caminho, acho que vai chegar, mas é pura especulação da minha parte.

Assassin’s Creed Mirage foi lançado no dia 5 de outubro para PS4 e PS5. Já se divertiu com Basim em Bagdá? Comente abaixo!