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Sol Nascente: invasões mongóis são o pano de fundo de Ghost of Tsushima

Tentativa de Kublai Khan de tomar o Japão para fazer parte de seu grande império na Ásia começou justamente em Tsushima em 1274

por Redação
Sol Nascente: invasões mongóis são o pano de fundo de Ghost of Tsushima

Quando a Sony anunciou Ghost of Tsushima, provavelmente muita gente ficou se perguntando: “Fantasma de onde?”. Bom, Tsushima é um local real, um arquipélago localizado na província de Nagasaki, no Japão. Dentro dele, está a Ilha de Tsushima, também chamada de Daemado, no estreito da Coreia.

Sabe aquelas imagens de vários barcos chegando e invadindo uma ilha, que aparecem no trailer de história de Ghost of Tsushima? Elas são “baseadas em fatos”. A região foi invadida pelos mongóis, comandados por Kublain Khan, em 1274. E esse é o pano de fundo para a história que você viverá com o Fantasma no novo exclusivo do PS4.

Ghost of Tsushima
Jogo terá como pano de fundo a invasão Mongol ao Japão. Fonte: PlayStation.

Nesse terceiro capítulo da série Sol Nascente, o MeuPlayStation vai falar sobre as (tentativas de) invasões do Império Mongol ao Japão. Esses são momentos históricos fundamentais para ambos os lados: o Khan teve seu ímpeto diminuído, e seu império começou a entrar em declínio, e os japoneses se afirmaram como nação.

Dinastia Yuan

A explicação para os mongóis atacarem o Japão era muito simples: Kublai Khan, neto do lendário conquistador Genghis Khan, conquistou a China e tornou Pequim a capital do seu império. Ele finalizou o trabalho começado pelo seu avô e foi o primeiro não-chinês a ter o total domínio do país, criando sua própria dinastia, a Dinastia Yuan.

Com direito a uma academia, escritórios, portos comerciais e canais, além de patrocinar as artes e a ciência da região, o império mongol parecia ser imbatível. Conseguindo o chamado “domínio real ou nominal” sobre boa parte da região da Eurásia, além da gigante China, Kublai agora tinha como objetivo expandir seus territórios.

Mesmo não sendo ainda uma unanimidade na China e lutando para manter a união no país, ele buscava dar mais um passo rumo à dominação praticamente total da Ásia. O imperador, então, olhou para o Japão. Vendo o país como uma provável fonte de riquezas, e o seu povo como mais atrasado, fácil de ser conquistado, não teve dúvidas de que esse era seu alvo.

Especialmente após as excessivas e exaustivas tentativas de invasão a alguns locais menores Champa, Khmer, Java e Birmânia (algumas com sucesso, outras não). Então, em 1268, ele enviou emissários com uma mensagem ameaçadora ao Japão. O imperador exigia que os japoneses se curvassem à vontade dele.

Em Ghost of Tsushima, já sabemos que haverá algumas mudanças históricas, como o próprio nome do imperador – que é chamado de Khotun Khan na descrição do game. Portanto, talvez nem tudo no enredo aconteça como foi na vida real; mais ou menos como God of War adapta alguns pontos da mitologia nórdica, mas não os segue à risca.

Ghost of Tsushima - Khotun Khan
No jogo, Khotun Khan é o principal líder da invasão a ilha japonesa. Fonte: PlayStation.

“No final do século XIII, o Império Mongol destruiu nações inteiras em sua campanha para conquistar o Oriente. A ilha de Tsushima é tudo o que resta entre o Japão e uma enorme invasão mongol liderada por um general ardiloso e implacável, Khotun Khan”, diz o site oficial de Ghost of Tsushima.

Hōjō Tokimune

Mas, do outro lado, estava o oitavo Shikken do Xogunato Kamakura, Hōjō Tokimune. Ele decidiu enviar os emissários do Khan de volta para “a Mongólia” sem resposta. Kublai insistiu, com novas mensagens em 1269, 1271 e 1272. Tokimune resistiu e rechaçou todas elas. Na última, acabou provocando a ira da Dinastia Yuan, que não teve outra opção senão atacar.

Com cerca de 30 a 40 mil homens, divididos em 500 a 900 embarcações, o exército composto por chineses, mongóis e coreanos se lançou ao mar na direção das ilhas de Tsushima e Iki. E foi uma batalha relativamente fácil. Mesmo com as defesas montadas por Tokimune, os samurais e seu combate terrestre não estavam prontos para o combate à longa distância dos Yuan.

Os mongóis tinham armas e táticas superiores, com as quais os samurais não estavam nem um pouco acostumados. Além disso, os japoneses não tinham experiência em controlar uma linha de frente tão grande, enquanto os mongóis estavam mais do que acostumados com guerras desse tipo, então fizeram um progresso inicial significativo.

Ghost of Tsushima - Batalhas
Batalhas pela Ilha de Tsushima foram sanguinárias. Fonte: Google.

Um detalhe interessante na história é de Tokimune ter usado a meditação para tentar espantar seus medos. Foi graças a ele que o chamado Zen Budismo se estabeleceu em Kamakura, Kyoto e depois em todo o Japão, especialmente entre os samurais. Segundo ele, seu mestre foi quem o orientou a “meditar para encontrar a fonte da sua covardia em si mesmo”.

Esse parece ser o exato momento mostrado no trailer de história de Ghost of Tsushima, com os comandados do Khan invadindo logo a ilha onde o “Fantasma” vive, e ele prometendo se vingar. Aparentemente, a história acontece nesse meio tempo entre a chegada forte dos mongóis e o desfecho da batalha, em 1281.

“Em meio à ilha devastada pela primeira onda de ataques mongóis está Jin Sakai, guerreiro samurai e um dos últimos sobreviventes de seu clã. Ele está decidido a fazer o que for preciso, custe o que custar, para proteger seu povo e recuperar seu lar”, diz o site de Ghost of Tsushima.

Kamikaze

O que aconteceu é que a natureza ajudou o Japão. Em 1274, um enorme tufão atingiu com tudo as embarcações dos mongóis, na Baía de Hakata, afogando cerca de 13 mil homens dos Yuan e forçando-os a recuarem. Esses ventos fortes que protegeram os japoneses foram batizados de kamikaze (神風; lit. “vento divino”).

Certamente, você já ouviu/leu essa palavra, provavelmente em referência aos pilotos do próprio Japão na Segunda Guerra Mundial e/ou em referência a alguma ação que seria um “suicídio” – expressão que foi popularizada justamente por causa deles. Contudo, ela nasceu muitos, muitos anos antes.

E se um raio não cai duas vezes no mesmo lugar, não se pode dizer o mesmo de um tufão. Claro que os mongóis não iriam desistir de invadir o Japão tão facilmente, não é mesmo? Então, em 1281, com ainda mais soldados (cerca de 140 mil, em 4.400 embarcações), eles voltaram ao mar, com duas frotas diferentes se unindo para atacar, outra vez, a Baía de Hakata.

Ghost of Tsushima - Vento Divino
“Vento Divino” deu uma forcinha para os japoneses. Fonte: National Geographic.

Só que o vento divino também estava lá de novo. Os samurais até estavam mais preparados, com mais homens, mais “estrutura”, só que foram as condições naturais que fizeram a diferença de novo. A história diz que cerca de metade dos integrantes das forças mongóis foram afogados e pouquíssimas embarcações conseguiram se salvar.

Muitos estudiosos acreditam que a destruição da frota foi também facilitada por dois outros fatores: ela era composta por botes fluviais chineses e navios leves, que tinham dificuldade de enfrentar o oceano aberto. Além disso, os navios de oceano verdadeiros na frota de Kublai foram feitos por engenheiros chineses, que os fizeram propositalmente com falhas fatais.

Ghost of Tsushima

Resta saber quais serão os eventos dessa longa história que viveremos no game. Será que essa trama vai somente até o final da primeira invasão? Vai se prolongar até a segunda e definitiva (Kublai até pensou em uma nova, em 1286, mas não teve os recursos necessários)? Qual será a participação do Fantasma de Tsushima, o protagonista, nos fatos históricos?

Entenderemos tudo isso somente daqui a alguns dias, quando o game chegar ao PlayStation 4, mas até lá, você já sabe um pouquinho do que deve ser o background do enredo. E, como você já sabe, as histórias dos games da Sucker Punch (e de todos os exclusivos do PS4) costumam estar entre os pontos fortes deles, não é mesmo?

Um pequeno resumo oficial da Sony sobre o game já mostra o quão épica a aventura deve ser: “Jin deve buscar os conselhos e o apoio de velhos amigos, além de novos e improváveis aliados. Ele precisa se desapegar das tradições para se tornar um novo tipo de guerreiro e proteger o que restou de seu lar, custe o que custar”.