Assassin’s Creed Black Flag Resynced: todas as novidades do jogo
Assassin's Creed Black Flag Resynced vem aí em 9 de julho e inclui diversas novidades em relação ao game original
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Hellblade: Senua’s Sacrifice pode ser considerado um jogo especial. A Ninja Theory, estúdio responsável por sua criação, apostou em fugir de muitos clichês da jornada do herói.
Senua, a protagonista, sofre de psicose, um transtorno mental que provoca uma série de alucinações, principalmente auditivas. Pessoas com esse transtorno têm dificuldade em reconhecer o que é real e o que é fruto de sua condição. Por outra perspectiva, elas não veem o mundo da mesma forma que as pessoas consideradas “normais”.
Isso faz com que Hellblade seja uma experiência confusa para algumas pessoas que não conseguiram perceber todos os detalhes e sutilezas da história de Senua. O jogo tem uma perspectiva muito pessoal, e nem todos os aspectos da trama estão expostos de forma clara ou óbvia.
Apesar de ser em terceira pessoa, tudo se passa sob a perspectiva da protagonista, uma pessoa com um transtorno mental que corrompe a realidade dita “normal”. É importante entender que boa parte dos acontecimentos está na mente de Senua e não representa, necessariamente, uma jornada física ou real.
O final do jogo é um momento de grandes revelações e deixou alguns jogadores perdidos, mas vamos tentar torná-lo mais claro para você.
AVISO! Esteja ciente de que, daqui para frente, o texto contém grandes spoilers sobre Hellblade: Senua’s Sacrifice.
Até mesmo alguns detalhes da história de Senua estão “escondidos” em sutilezas do jogo que passam despercebidas ao longo do gameplay.
Senua é uma guerreira celta que faz parte do clã dos Pictos. O pai da protagonista, Zynbel, é uma espécie de xamã do clã e obcecado em destruir o que ele chamava de “escuridão”, ou seja, a psicose. Galena, a mãe de Senua, também possuía o transtorno. Enquanto tentava combater “a escuridão”, Zynbel queimou Galena em uma fogueira, de forma semelhante ao que acontecia com mulheres acusadas de bruxaria durante a Inquisição.
Devido ao trauma de ver a mãe ser queimada pelo próprio pai, Senua bloqueou a memória desse fato. Ela cresceu atormentada pela influência de Zynbel, que insistia para que ela afastasse “a escuridão” a todo custo, pois as visões e alucinações de Senua eram uma maldição que poderia prejudicar todo o clã. Com isso, a protagonista de Hellblade vivia isolada e insegura.

A vida de Senua muda quando ela conhece um rapaz chamado Dillion. Ao contrário de Zynbel, Dillion não vê a psicose dela como um problema, mas como uma forma especial de enxergar o mundo. Ele ajuda Senua a se libertar da influência do pai e a aceitar o transtorno como uma parte de si.
O poder de Zynbel, no entanto, era forte, o que fez com que Senua acreditasse que uma peste que assolou o clã fosse consequência da maldição que ela carregava. Senua decide que precisa enfrentar “a escuridão” e parte em exílio para uma floresta. Quando retorna às terras do clã, encontra o lugar devastado por uma invasão viking e Dillion morto, usado como sacrifício para Hela, a deusa do mundo inferior, ou Helheim.
Senua decide, então, ir até o reino de Hela para salvar a alma de Dillion, e essa é a jornada que vemos ao longo do jogo.
O final de Hellblade traz uma série de resoluções que explicam até mesmo o básico da história de Senua. No entanto, a grande revelação é mostrar que toda aquela aventura é uma espécie de batalha mental, de aceitação e crescimento.
Ao atravessar o grande portão que levaria Senua até Hela, a protagonista enfrenta a Sombra, que é basicamente seu próprio pai. Ele simboliza todo o medo que Senua tem da própria psicose, enquanto a busca por Dillion representa o conforto da aceitação. Ao enfrentar seus sentimentos em relação à opressão do pai, Senua se lembra do que realmente aconteceu no dia da morte de sua mãe.
A protagonista de Hellblade acreditava que Galena havia cometido suicídio para livrar o clã da maldição da “escuridão”. Senua se sentia covarde por optar pelo exílio e se culpava pelo ataque dos vikings à vila e pela morte de Dillion, motivo pelo qual tentava desesperadamente salvar a alma do amado. Na verdade, a morte de sua mãe foi causada por Zynbel, como uma “resposta a um pedido dos deuses”.
Depois da última batalha, Senua finalmente percebe que não há por que “lutar contra a escuridão”. Essa batalha é, na verdade, fruto do fato de Zynbel não entender nem aceitar a psicose de Senua e de sua mãe. A conclusão da protagonista é que as punições e o sofrimento não são produto de ações dos deuses, mas de pessoas ao nosso redor.
Toda essa jornada serviu para que Senua enfrentasse o medo que sentia de si mesma, manifestado na forma de deuses e figuras mitológicas de uma religião pertencente ao povo que massacrou seu lar. Não é à toa que todos os desafios e provações se passam no “inferno viking”.
Querendo ou não, Dillion continuou sendo a força que guiava Senua em direção à aceitação de sua condição. Quando ela percebe que sua condição não é uma maldição e que não é culpada pela morte de Dillion, aceita que ele realmente se foi e que não há nada a ser feito para trazê-lo de volta ou salvar sua alma.

É exatamente por isso que, na cena final, Hela assume a forma da protagonista, simbolizando que a batalha de Senua era contra si mesma, e não contra alguma figura mitológica. Depois de tudo, Senua também percebe que a psicose é parte dela. As vozes continuam lá, mas algo está diferente. Elas não trazem mais medo ou tormento, e ajudam a manter os traumas sob controle.
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