Por que o Hack and Slash é um dos gêneros mais apaixonantes dos games
Desde o PS2 até os lançamentos mais recentes, entenda como a filosofia do gênero marcou gerações
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Desde o PS2 até os lançamentos mais recentes, entenda como a filosofia do gênero marcou gerações
Poucos gêneros na história dos videogames traduzem a sensação de poder de forma tão direta quanto o hack and slash. Nascido da evolução dos clássicos beat ‘em ups 2D nos arcades e nos consoles de 16 bits, o estilo se consolidou de vez na transição para os cenários tridimensionais. A estrutura dos fliperamas foi adaptada para criar o conceito de ação em 3D, um formato que aproveitou conceitos dos jogos de luta, como cancelamento de animações e combos aéreos, priorizando ritmo acelerado, comandos precisos e um combate visualmente impactante.
Apesar de ser usado prioritariamente como um termo nos videogames, a expressão “hack and slash” (“picar e cortar”, em tradução livre) vem de muito antes. Ela apareceu pela primeira vez em 1980, em um artigo da revista Dragon, especializada no RPG de mesa Dungeons & Dragons.
Na época, essa expressão era usada para campanhas de D&D que não tinham qualquer enredo, foco narrativo ou história dos personagens. Assim como nos videogames, o que importava era o combate, com a campanha do RPG de mesa sendo centrada justamente nisso.
Ao longo das últimas duas décadas, o PlayStation virou um dos principais palcos dessa categoria. Na era do PS2, lançamentos emblemáticos definiram os rumos da ação em terceira pessoa, a começar pelo impacto de Devil May Cry, protagonizado pelo estiloso Dante, pelos combates samurais de Onimusha e pelo primeiro God of War, que transformou a brutalidade de Kratos em um fenômeno da indústria. Nos anos seguintes, o ecossistema da Sony continuou recebendo títulos de peso, como God of War III, Heavenly Sword, NieR: Automata e Bayonetta.

O grande apelo desse estilo está na capacidade de ir direto ao ponto, priorizando a satisfação imediata de cada confronto. É nessa proposta que Marvel’s Wolverine tenta se encaixar. Ao focar no combate feroz de Logan, o jogo proporciona uma sensação de fluidez ao jogador, que derrota cada grupo de inimigos com as garras de adamantium, que ficam cheias de sangue.
O hack and slash é um formato desenhado para valorizar o tempo do jogador. Lidar com hordas de inimigos, executar combos complexos (ou, muitas vezes, mais simples), além de se movimentar com esquivas, pode ser extremamente satisfatório. Basicamente, o jogador não vê o tempo passar.

Enquanto a indústria aposta em produções cada vez maiores e mais longas, em um momento em que se discute a fadiga com campanhas intermináveis e os limites do tamanho dos mundos abertos, a procura por jogos objetivos continua forte. O sucesso recente de Stellar Blade no PS5 mostrou que o público ainda busca combates técnicos e velozes, com a história principal do game da Shift Up durando até 22,5 horas, segundo o HowLongToBeat.
Marvel’s Wolverine pode virar referência seguindo esse caminho. Ao juntar um dos personagens mais populares da cultura pop a um sistema de luta, o game entrega uma experiência em terceira pessoa com combate visceral do começo ao fim. Exatamente aquilo que busca quem quer apenas “desligar a mente” e partir para a pancadaria.

Outro bom exemplo é Diablo. Embora fuja do tradicional 3D e conte com câmera isométrica, a franquia da Blizzard Entertainment entra justamente nesse gênero por entregar ação o tempo todo, com combates contra hordas e uma satisfação genuína ao explodir os inimigos com suas habilidades.
O hack and slash continua sendo um dos gêneros mais apaixonantes dos videogames porque é um dos raros estilos que colocam a satisfação do jogador no centro absoluto da experiência. Em vez de desacelerar o ritmo com burocracias desnecessárias, ele aposta na recompensa imediata e no domínio tátil, transformando cada esquiva bem-sucedida e cada combo executado em uma descarga pura de adrenalina.
É a união perfeita entre a precisão técnica dos jogos de luta e o espetáculo visual do cinema de ação, garantindo um entretenimento direto, vibrante e atemporal que lembra ao mercado o valor incomparável de simplesmente pegar o controle e se divertir sem enrolação.
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