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Hades, jogo da Supergiant Games
Hades

Hades: vale a pena?

A vida no Olimpo sempre se provou caótica (Kratos que o diga!) com deuses interesseiros e relações complicadas entre parentes. “É duro ser um deus”, já diziam Túlio e Miguel em Caminho para El Dorado da DreamWorks. E é assim que o jogo Hades reforça o ponto, mostrando relações conturbadas combinadas com um gameplay desafiador.

O título da Supergiant Games chegou ao PlayStation e Xbox após um período somente no PC e Nintendo Switch, e comprovou que mereceu todos os prêmios e indicações recebidos em 2020. Hades é uma experiência divertida, envolvente, intrigante e muito viciante.

Hades é o nome da fera

No Hades — conhecido como o submundo da mitologia grega e também como o nome da divindade responsável pelos mortos — conhecemos Zagreu, o protagonista do jogo. Ele é filho do próprio deus do submundo e sua missão é simples: fugir desse inferno, literalmente.

Para cumprir este complicado objetivo, ele conta com a ajuda de seus tios e parentes do Olimpo. Zeus, Poseidon, Afrodite, Hermes e outras divindades oferecem bênçãos a Zagreu como melhorias de dano, mais agilidade ou poderes especiais para ele escapar dos lacaios e subchefes de Hades.

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Os deuses do Olimpo estão ajudando Zagreu ou estão atuando por interesses próprios?

Ora, mas por que o príncipe do submundo deseja escapar do seu próprio lar? Já se sentiu como se sua casa não fosse mais onde você devia estar? Pior: e se você descobrisse que te contaram mentiras durante grande parte de sua vida? A frustração é grande demais e Zagreu vivencia isso. E sem mais comentários para evitar spoilers.

Mas analisando a história, há uma razão justificável para a fuga do protagonista que não é explicada apenas “por pura rebeldia”. Inclusive, o desenvolvimento do enredo deixa o jogador bastante curioso ao longo da progressão para descobrir os segredos do submundo e como Zagreu lidará com eles.

Não espere por um storytelling ao nível de The Witcher ou The Last of Us, mas pode ficar tranquilo porque a história não é nada confusa como Returnal. Tudo é muito bem explicado e amarrado.

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Há um porquê da história de Zagreu e isso o jogador descobre ao longo de suas tentativas frustradas de fugir.

O inferno não é fácil, mas tem água!

Hades é um jogo roguelike: morreu? Volta para o início. Sem pontos de salvamento ou checkpoints. O jogador precisa “concluir o game” em uma tentativa. Não é demorado para chegar ao último chefão — dependendo das habilidades. Na fuga que deu certo, levei 44 minutos para vencer o desafio final.

Contudo, as mecânicas do jogo oferecem um pouco de água nesse calor infernal da dificuldade roguelike. Ao contrário de muitos títulos do mesmo gênero, o jogo da Supergiant conta com um diferencial: ele te dá uma sensação de evolução o tempo todo.

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A primeira fuga é apenas a primeira de muitas!

Há dois tipos de evolução. A primeira é obtida com as tentativas de fuga do mundo dos mortos. O jogador aprende os padrões dos inimigos, descobre as melhores salas para explorar, entende os recursos mais poderosos e busca pelas builds mais fortes. Isso é com o tempo e com o gameplay.

A segunda forma de evolução é por meio das próprias conquistas in-game. Cada run resulta em recompensas e melhorias para Zagreu, sendo possível aumentar a vida total do príncipe, desbloquear novas armas, obter melhorias para as bênçãos dos deuses e muito mais.

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Conhecer os mapas e os inimigos são essenciais para o desenvolvimento do jogador.

Para se fazer uma comparação rápida, Returnal é um roguelike que deixa a protagonista “a mesma” do início ao fim. A diferença são as armas melhoradas ao longo da jornada. Em Hades, o Zagreu da 10ª tentativa é um herói completamente diferente do início do jogo.

Por isso que o título é uma ótima porta de entrada para todos. Embora seja frustrante morrer no último chefão e recomeçar o game desde a primeira sala, a nova partida trará melhores chances da vitória por causa da evolução do protagonista.

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Quanto mais tempo descobrindo as bençãos e habilidades, mais familiaridade se pega com os melhroes upgrades.

Não há como sair do Hades

Embora a intenção de Zagreu seja fugir do Hades, o jogador ficará extremamente viciado no jogo. Somente após 10 horas consegui fugir do submundo pela primeira vez, mas vencer esse desafio apenas liberou novas possibilidades para o roguelike.

A experiência não se torna repetitiva graças ao gameplay conciso e divertido. Os comandos respondem muito bem à movimentação frenética de esquiva, ataque e poderes. Nesse gênero, precisão é tudo e Hades entrega com louvor.

A versão para o PlayStation 5 está com carregamentos rápidos, porém, os recursos utilizados no DualSense são “ok”. Não são ruins, mas são bastante secundários e pouco contribuem para a imersão.

A câmera aérea permite uma boa visão de todos os cenários e os mapas possuem nuances específicas. Há um total de quatro biomas até a fuga de Zagreu e cada um deles conta com armadilhas específicas e um visual único. Percebe como a repetitividade é amenizada quase que o tempo todo?

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Por mais que seja simples, o visual de Hades é arrebatador.

Outro fator que favorece a experiência viciante são os diálogos de Zagreu com os personagens espalhados no submundo. Até mesmo nos chefões que ele reencontra após as mortes, há novas opções de conversas e o protagonista satiriza suas quedas.

É interessante notar como o jogador cria uma identificação com o príncipe. Ele é irreverente e debochado, um jovem que não leva muito a sério a própria situação de estar no inferno. Além disso, todos os personagens contam com suas personalidades engraçadas e até sentimentais.

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Zagreu sempre descobre algo novo e surpreendente.

De boas intenções, o inferno tá cheio

Mesmo quem não é fã do gênero roguelike, provavelmente ficará encantado com a experiência em Hades. O jogo poderia contar com modos introdutórios e tutoriais para auxiliar os novatos, mas a curva de aprendizagem é bastante justa. Além disso, o título oferece praticamente um gameplay infinito pelas diferentes possibilidades em combinar habilidades, poderes, armas e salas para explorar.

Na PlayStation Store, o game custa R$ 124,50 e é um preço válido diante de uma experiência com muitas horas de conteúdo — um ótimo custo-benefício.

Se é duro ser um deus, imagine como filho do dono do submundo? É necessário fugir do Hades!

Veredito

90

Ficha Técnica

Desenvolvedor

Supergiant Games

Consoles

PlayStation 4 | PlayStation 5

Jogadores

1

Vantagens do jogo Hades

Vantagens

  • Gameplay viciante
  • História e diálogos bem construídos
  • Experiência infinita com novas possibilidades e desafios
  • Trilha sonora movimenta os momentos de combate
  • Ótimo custo-benefício
Desvantagens do jogo Hades

Desvantagens

  • Faltou um tutorial para familiarizar os novatos
  • Poucos diferenciais no DualSense

Veredito

90

capa do jogo Hades

Jogo

Hades

Autor

foto do author do artigo Raphael Batista

Raphael Batista

Produtor de conteúdo em vídeo no MeuPlayStation, com atuação voltada à cobertura de jogos e tendências da indústria. Tem preferência por experiências narrativas e franquias marcantes, como The Witcher 3, Metal Gear Solid, God of War e Marvel’s Spider-Man, trazendo uma visão próxima da comunidade e do dia a dia dos jogadores.

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